Bike Anjo BH na mídia

Cuidado, ciclista

Eles estão nas ruas e dividem espaço nas vias de trânsito caótico com motoristas. É possível uma convivência pacífica?

Guilherme Tampieri*(na reportagem original o nome está escrito errado) , que ensina a andar de bicicleta na cidade
A sensação de pedalar uma bicicleta para Guilherme Lara Camargos Tampieri é única. Todos os ângulos da cidade ficam diferentes, é possível enxergar melhor as pessoas, sair do ritmo acelerado, testar os limites do corpo, contribuir para minimizar o tráfego. Mas é também quando está em sua bike que Tampieri testa outro lado de Belo Horizonte – é possível que ciclistas e motoristas dividam a mesma via sem causar danos à parte mais frágil? Ainda sem números do ano passado, o Detran divulgou que ocorreram na capital, em 2009, 598 acidentes com ciclistas, com nove mortes, e, em 2010, foram 498, com três vítimas fatais. Por essa insegurança no trânsito, um ainda pequeno número de ciclovias (34 km); e relação conflitante entre motoristas e ciclistas, pode-se dizer que a bicicleta não se popularizou. O que não quer dizer que ciclistas da cidade não apostem em torná-lo uma alternativa num trânsito cada vez mais caótico.
Tampieri faz parte do grupo Bike Anjos, um projeto voluntário ambiental e social, que ensina aqueles que ainda não sabem andar de bicicleta e também os inexperientes em como fazer esse transporte nos horários de picos pelas principais ruas de BH. Ciclistas têm se organizado nos chamados Rolés Urbanos, em que além de ocupar as ruas, também contribuem para construir uma melhor relação com pedestres e motoristas.
No meio dessa construção, quanto mais em evidência estiverem os ciclistas, mais os problemas e dificuldades começam a aparecer. Para o presidente do grupo Mountain Bike BH, Lucas Moreira, a partir do momento em que as pessoas começam a colocar bicicletas nas ruas, é natural que mais acidentes apareçam na mídia. A boa notícia é que o aumento também significa mudança positiva para os ciclistas. “Creio que é só uma questão de tempo para as pessoas enxergarem que bicicleta na rua é um carro a menos ou uma pessoa ocupando espaço no transporte público.”
Atualmente, BH  engatinha quando o assunto são as ciclovias. Há dois anos, eram 24 km. A meta é atingir 120 km e, segundo a BHTrans, já foram contratados 114 km de projetos executivos para as novas ciclovias. Essa não é a única falta sentida pelos ciclistas. Integrante do Rolé Urbano das Terças (Ruts), o engenheiro Geraldo Belvino diz que é preciso preparar a sociedade para o aumento de ciclistas. “Faltam campanhas educativas que enfatizem que nós somos parte do trânsito, com direitos e deveres e, principalmente, que devemos ser protegidos e respeitados.”
Atropelado em 2004, o estudante Vinícius Mundim diz que essa negociação é fundamental. Oito anos depois do acidente, ele afirma que era inexperiente e credita também falhas à motorista. Atualmente, se locomove com bicicleta para ir ao trabalho, faculdade, passeios, e diz que é fundamental que o ciclista sinalize bem, respeite as normas de trânsito, fique atento para ter certeza de que está sendo visto. “É um círculo virtuoso em que, quanto mais gente pressionar, mais ciclovias e segurança teremos.”
Em 2007, o estado promulgou a lei 16.939 para incentivar o uso de bicicleta. Ainda há muito a fazer na opinião de Lucas Moreira, que deseja ver a lei em prática. Ele enumera a falta de estacionamento e de ações mais eficazes de segurança. “Quanto às ciclovias, grande parte delas está sem pé nem cabeça, o que dificulta para algumas pessoas – sobretudo as que se sentem inseguras de compartilhar as vias.” A insegurança é, aliás, uma das grandes inimigas. Para isso, Guilherme Tampieri faz às vezes, literalmente, de um protetor. O projeto Bike Anjos BH tem voluntários para ensinar a andar de bicicleta. Sim, se você não sabe, é a chance. E também a enfrentar o trânsito com tranquilidade e segurança.

Pedalando com segurança:

  • Não pedale na contramão: embora enxergar os carros de frente possa dar uma sensação de segurança, ela é ilusória, porque numa colisão frontal a velocidade é a do carro mais a da bicicleta
  • Pedale sempre de forma visível e previsível: ande pelo canto direito da rua (ou pelo esquerdo, quando for convergir à esquerda), sem ziguezaguear, e use o braço para sinalizar sua intenção (convergir ou seguir em frente)
  • Não pedale pelas calçadas: ali é lugar de pedestre, e é preciso respeitar para ser respeitado
  • Respeite os semáforos: o que vale para os automóveis, vale para as bicicletas. Pela lei, elas também são veículos
  • À noite, use roupas claras e luzes piscantes: vermelha na traseira e branca na frente
  • Use equipamentos de segurança, como luvas e capacete
  • Prefira ruas e avenidas mais tranquilas. Muitas vezes vale a pena alongar o caminho para evitar uma via de trânsito rápido
  • Monitore sempre o trânsito atrás de você, olhando rapidamente por cima do ombro, mas sem descuidar do que está à sua frente. Evite usar fone de ouvido: sua audição faz parte do seu radar
  • Tenha bom senso, pedale defensivamente (mas sem esquecer o seu direito de uso das ruas), seja respeitoso e cordial, procure negociar sempre, aproveite a simpatia que a bicicleta recebe por parte de quase todo mundo, mantenha o bom humor e lembre-se que estresse com trânsito é algo que diz respeito a motoristas engarrafados – congestionamentos não afetam ciclistas

O que diz a lei:

  • O ciclista desmontado empurrando a bicicleta equipara-se ao pedestre em direitos e deveres
  • São obrigatórios o uso de campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais, e espelho retrovisor do lado esquerdo
  • É infração média o motorista deixar de guardar a distância lateral de 1,50 m ao passar ou ultrapassar bicicleta
  • É infração grave o motorista deixar de reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do trânsito ao ultrapassar ciclista
  • É infração média sujeita a multa e remoção da bicicleta conduzi-la em passeios onde não seja permitida a circulação desta, ou de forma agressiva

Fonte


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