Arma de destruição em massa

Carteira de motorista e licença para porte de arma devem estar sendo vendidos no mesmo local e as pessoas se confundindo qual compraram. Não há muitas outras explicações para além dessa e da vontade GIGANTE de cada ego de ocupar o espaço do outro prevalecer sobre a vontade de deixar o outro vivo. Vivemos um remake do “velho oeste”, onde matar era mostrar que era mais forte, rápido e qualquer outro adjetivo. A diferença de agora para 150 anos atrás é que a arma ficou maior, mais cara e se move junto contigo. A consciência para o uso do revólver e do carro não mudou. Na verdade, piorou. Hoje mata-se sem uma rixa prévia. Mata-se pelo simples fato de “não ter visto” UM SER HUMANO na sua frente. Velocidade alta? Cegueira repentina? Tanto faz, não vale como desculpa.

Mesmo tendo sido em SP o acontecido (não importa quem errou, ciclista ou ônibus – o que quero dizer nesse post é sobre a anomisidade das relações humano-humano), me parece o momento de nós, ciclistas de BH, e porque não do Brasil,fazermos muito barulho no Executivo, no Legislativo e na BHTrans (demais empresas responsáveis pelo trânsito no país). Chega! Não dá mais para pedalar à própria sorte. Não há UMA campanha educativa se quer, em Belo Horizonte. O Projeto Pedala BH visa colocar bicicletas em ciclovias que levam nada a lugar algum, em ciclovias que o dinheiro de um hotel falou mais alto que o direito do cidadão de ir e vir, em ciclovias que carros ESTACIONAM e PARAM nela a bel prazer, em ciclovias que o pedaço de cimento, que visaria proteger os ciclistas, virou brinquedo de flanelinha. Como incentivar pessoas a pedalarem com a situação assim? Existem regras de trânsito, para qualquer um que se locomova nele, mas elas estão sendo cada vez mais mitigadas pelas regras de convívio individual de cada um, o que não está dando certo. Passou da hora de largarmos a angústia individual e socializarmos com a esperança de um coletivo.

Alguns podem reclamar que não há fiscalização. Concordo. Mas e onde entra a educação social das pessoas? A vontade de conviver em harmonia em uma cidade? São coisas como essas duas que fazem das pessoas, pessoas. Seres humanos. Nos SOMOS humanos. Uma das qualidades que nos fez evoluir para além das outras espécies fora a adaptação social. Será que estamos regredindo na evolução da espécie? Ficando mais racionais/animais, e menos passionais? Há paixão, só não sabemos onde ela está. Talvez perdida pelas ruas, em meio a tanto carro e violência. Talvez escondida em alguma esquina, com medo de ser roubada/assaltada. Talvez em alguma Praça que fora largada pelo Estado e virado hotel para bandido. Talvez em algum ser que não está mais humano. Digo está por que ele ainda há de voltar a ser. Confiança. Temos que ter esse belo sentimento nas pessoas, mas, antes dele, temos que respeitar TODOS.

Sinto pela família da ciclista. Sinto pelos ciclistas que deixarão de viver uma realidade, pedalar na cidade, que mais parece um sonho, e voltarão a usar automóveis/motocicletas para se locomoverem! Sinto pelos ciclistas que ficarão à exposição no trânsito e que, com fé em dias melhores, perseguirão objetivos maiores que o prazer de emitir CO2 particularmente.

A física pode ajudar a resolver os problemas do trânsito, visto que a educação não está nos planos de nossos gestores públicos. “Dois corpos NÃO ocupam o mesmo lugar”.

Mais links do ocorrido:

http://noticias.terra.com.br/brasil/transito/noticias/0,,OI5643419-EI998,00-SP+ciclista+morre+atropelado+por+onibus+na+avenida+Paulista.html

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/03/02/ciclista-morre-apos-ser-atropelado-por-um-onibus-na-avenida-paulista.htm

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4 comentários sobre “Arma de destruição em massa

  1. tudo esta relacionado a um a simples palavra, NÃO, pessoas que não tiveram limite, não sabe o que é responsabilidade, respeito, bom senso, geralmente depois de quebrarem a cara (punição) é que toma rumo na vida, mas tem deles , que nem Deus e o diabo pode so a morte pode (desculpa) em fim, educação de berço, coisa rara hoje em dia, mas tem jeito, temos que acreditar e fazer (agir)……

  2. Eu compartilho dessa tese exposta.
    Os veículos automotores deixaram de ser úteis; hoje são meros instrumentos de ostentação de “poder”, como também os são as armas de fogo.

  3. Um dos processos de banalizam da vida humana passa pela condução de veículos automotores como armas de guerra. O trânsito não é uma guerra, mas há momento que há batalhas, o que não deveria acontecer, visto que todos que ali estão querem chegar em seus destinos. O problema é que alguns querem chegar antes dos outros, o que acarreta na sobreposição de um direito sobre um dever e de um direito sobre outro direito, o que não é correto.

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